terça-feira, 14 de março de 2017

Sinais de rádio misteriosos podem ser de espaçonave...

Ilustração de uma vela solar alimentada por feixe de rádio (vermelho), 
gerado na superfície de um planeta (M. Weiss / CfA/Reprodução).

Publicado originalmente no site da revista Veja, em 13 mar 2017.

Sinais de rádio misteriosos podem ser de espaçonave alienígena
Cientistas de Harvard confirmaram a possibilidade de construção extraterrestre estar enviando ondas de energia à Terra.

Por Julia Moura.

Sinais de rádio captados por telescópios terrestres podem ter sido enviados pela energia de espaçonaves alienígenas. Cientistas da Universidade de Harvard concluíram que o uso da luz de alguma estrela no abastecimento de um possível ‘barco a vela intergaláctico’ é capaz de emitir essas ondas de rádio, das quais, até agora, não se sabe a origem.

A pesquisa foi publicada em fevereiro no periódico científico Astrophysical Journal Letters e discute a possibilidade desses sinais não terem sido originados por elementos naturais e, sim, por construções extraterrestres. Eles são chamados de Rajadas Rápidas de Rádio (FRBs, na sigla em inglês), têm duração de menos de cinco milissegundos e são captadas por gigantes telescópios de rádio.

Desde que a primeira identificação de uma FRB foi feita em 2007 pelo telescópio australiano Parkes, dezessete outros sinais foram listados na categoria. Os astrofísicos ainda não sabem de onde as ondas foram emitidas e por que não são constantes. As hipóteses mais aceitas até então sugeriam que elas são resultado da morte de uma estrela ou da junção de dois buracos negros.

No entanto, Avi Loeb, físico do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica e um dos autores da publicação, acredita que, já que não se encontraram fortes evidências da origem de FRBs em astros naturais, é plausível que se discuta a sua geração artificial. “FBRs são excessivamente brilhantes considerando sua curta duração e origem, a longas distâncias. Como não identificamos nenhuma fonte natural possível com confiança, vale a pena considerar e checar uma origem artificial”, disse em comunicado.

Com o objetivo de verificar a possibilidade das FRBs serem geradas por equipamentos, ele se juntou ao engenheiro Manasvi Lingam, também de Harvard, para a realização de diversos cálculos físicos e de construção. Eles concluíram que transmissores do tamanho de planetas poderiam fornecer energia para sondas interestelares – e esse abastecimento estaria sendo interceptado, por breves momentos, pela Terra, explicando os sinais de rádio.

Para sustentar a nave, a fonte teria que emitir raios de energia continuamente, como um holofote. Em analogia ao barco à vela, a energia estrelar absorvida funcionaria como o vento e empurraria a espaçonave. Eles acreditam que partes desse feixe energético poderiam atingir o nosso planeta, já que ele e nave estariam se movimentando em relação a Terra. Segundo os cientistas, essa poderia ser a origem dos dezessete FRBs registrados. “O número de vezes que nós veríamos essas ondas depende de muito fatores, relacionados ao caminho do veículo e a sua localização”, explicou Lingam ao site de VEJA. Ele acredita ainda, que todos os FRBs listados provavelmente sejam de diferentes fontes.

Para enviar energia a uma espaçonave a galáxias de distância, os cientistas afirmam que seria necessário um transmissor com um tamanho equivalente a duas Terras. Apesar dessa construção estar muito além da tecnologia terrestre atual, ela é possível segundo as leis da física e da engenharia, de acordo com o estudo.

Os pesquisadores acreditam que essas estruturas seriam úteis para fornecer energia a grandes navegações interestelares. A energia gerada seria capaz de empurrar uma carga de um milhão de toneladas – o que corresponde a vinte vezes a capacidade do maior cruzeiro da Terra. “Isso é grande o bastante para carregar passageiros por distâncias interstelares e até intergalácticas”, disse Lingam, em comunicado.

Ondas de rádio.

Em janeiro deste ano, cientistas anunciaram a descoberta da origem de uma FBR pela primeira vez. Ela estaria em uma pequena galáxia, a pouco mais de três bilhões de anos-luz de distância (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros). A pesquisa foi publicada na revista científica Nature e baseada em dados obtidos por modernos radiotelescópios do observatório Very Large Array (VLA), nos Estados Unidos. Nomeada de FRB 121102, seu rastreamento foi possível porque os sinais já atingiram a Terra diversas vezes.

Mesmo que fosse possível transformar esses feixes de energia da FRB 121102 em sinais de rádio audíveis e inteligíveis, a comunicação com outras galácticas ainda seria difícil. Isso porque, mesmo se a onda viajasse à velocidade da luz, ela levaria três bilhões de anos para ir dessa pequena galáxia até a Terra.

Sobre a existência de extraterrestres, Loeb defende que o trabalho é meramente especulativo e que não cabe à ciência acreditar em alienígenas. “Não se trata de crença e sim de evidência. É melhor desenvolver ideias e deixar que os dados decidam”, afirmou.

Texto e imagem reproduzidos do site: veja.abril.com.br/ciencia

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Notícia de primeira página do The New York Times

Esta notícia não é apenas a primeira página, isto é metade da primeira página!!! Incrível.
Legenda e imagem reproduzidas do Facebook/Duilia De Mello.

Conheça a brasileira que é astrônoma da Nasa

Duilia_Fernandes (Tommy Wiklind).

Publicado originalmente no site da revista Exame, em 15/dez/2014.

Conheça a brasileira que é astrônoma da Nasa.

A astrônoma Duília Fernandes se apaixonou pelas imagens do espaço na infância. Hoje é pesquisadora da Nasa e uma das cientistas mais importantes do mundo.

Por Anna Carolina Rodrigues.

A astrônoma paulista Duília Fernandes de Mello, de 50 anos, passa suas horas olhando para estrelas, constelações e corpos celestes no espaço. Foi assim que descobriu, em 2008, as chamadas bolhas azuis, estrelas solitárias que vivem entre galáxias, e uma supernova, o nascimento de uma estrela, em 1997. Feitos como esse, raros para um astrônomo, fizeram de Duília uma das cientistas de maior prestígio hoje.

A pesquisadora se divide entre os projetos que desenvolve, há 12 anos, para a Nasa, a agência espacial americana, e o trabalho como professora do departamento de física da Universidade Católica da América, em Washington, onde está há seis anos.

Duília se especializou em analisar retratos do espaço feitos pelo telescópio Hubble. “Dá para ver as profundezas do universo”, diz Duília. Ela trabalha em uma equipe de 100 profissionais de todos os lugares do mundo.

Chegar aonde ela está não foi fácil. Filha de um casal de classe média baixa, sem formação superior, Duília foi criada no Rio de Janeiro. Desde pequena, vivia à procura de fotos do espaço. “Era meados dos anos 70, auge da corrida espacial, sondas como o Voyager e Pioneer enviavam imagens do espaço a todo instante, que iam para os jornais”, diz.

Aos 14 anos, decidiu estudar astronomia. Os professores, que não sabiam sobre a carreira, a desaconselharam. A mãe viu a curiosidade da filha e a levou ao Observatório do Valongo, no Rio. “Fiquei empolgada, e minha mãe, preocupada.”

Aos 17 anos, Duília entrou no curso de astronomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fez mestrado, doutorado e pós-doutorado. Saiu do Brasil em 1997, quando já era pesquisadora, depois que o governo federal cortou as bolsas de incentivo à pesquisa.

“Juntei cartas de recomendação e enviei e-mails para colegas no exterior, o que me proporcionou expe­riências no Chile e na Suécia até chegar ao instituto Hubble, em Maryland, nos Estados Unidos”, diz.

Texto e imagem reproduzidos do site: exame.abril.com.br/ciencia

Entrevista com Duilia de Mello - astrônoma da NASA

'Encontrar uma 2ª Terra é questão de tempo':

Cientistas vão usar telescópios para estudar propriedades 
da atmosfera dos planetas ao redor da Trappist-1. (Foto: Nasa).

Publicado por BBC/G1, em 22/02/2017.

'Encontrar uma 2ª Terra é questão de tempo': por que o novo anúncio de exoplanetas é importante.

Novo sistema solar com planetas de dimensões semelhantes às da Terra fica ao redor de estrela de brilho fraco, o que facilita observação com telescópios terrestres.

Por BBC

Tantos planetas já foram encontrados em sistemas planetários além do nosso que é fácil não valorizar o possível significado de uma nova descoberta. Atualmente, a Nasa contabiliza 3.449 exoplanetas - por isso, é perigoso fazer uma propaganda excessiva de cada anúncio.

Mas a excitação causada pela descoberta de sete planetas do tamanho da Terra, anunciada nesta quarta-feira por cientistas europeus e americanos, não ocorre apenas pela quantidade incomum de exoplanetas encontrados ao mesmo tempo. Nem pelo fato de que a maior parte deles são do tamanho do nosso.

O sistema é formado em torno da já conhecida estrela-anã superfria Trappist-1, que fica a apenas 40 anos-luz do nosso planeta.

E os cientistas estão empolgados porque a Trappist-1 é convenientemente pequena e fraca. Isso significa que os telescópios que estão sendo usados para estudar esse novo sistema planetário não são tão ofuscados pelo brilho quanto seriam ao mirar estrelas mais brilhantes.

"Isso abre um caminho fascinante para estudar esses mundos distantes e, acima de tudo, suas atmosferas", diz David Shukman, correspondente de ciência da BBC News.

"A cobertura dos anúncios de exoplanetas pode facilmente levar a conclusões precipitadas sobre vida alienígena. Mas esse sistema planetário remoto pode realmente fornecer uma boa chance de procurar por pistas dela."

A próxima fase da pesquisa já começou a buscar pelos principais gases, como oxigênio e metano, que podem fornecer pistas do que está acontecendo na superfície desses planetas.

Possibilidades.

"Encontrar uma nova Terra não é questão de 'se', mas de 'quando'", disse o astrofísico Thomas Zurbuchen, diretor de ciência da Nasa, durante o anúncio da descoberta, em uma transmissão ao vivo no Facebook.

Os pesquisadores afirmaram que todos os novos planetas do sistema da Trappist-1 poderiam ter água líquida na superfície, a depender das condições de pressão atmosférica.

Dos sete exoplanetas, três estão dentro do que se considera zona "habitável" - a uma distância da estrela Trappist-1 em que a vida é considerada uma possibilidade.

"Os planetas são próximos um do outro e muito próximos da estrela, o que lembra a organização das luas de Júpiter", disse o belga Michaël Gillon, da Universidade de Liège, o principal autor da pesquisa.

"Mesmo assim, a estrela é tão pequena e fria que os sete planetas são temperados, o que significa que eles podem ter água líquida - e talvez vida, por extensão - na superfície."
Os astrônomos dizem também que poderão estudar as propriedades atmosféricas dos planetas usando telescópios disponíveis atualmente.

"O Telescópio Espacial James Webb, sucessor do Hubble, tem a possibilidade de detectar a marca do ozônio se esta molécula estiver presente na atmosfera de um desses planetas", afirmou Brice-Olivier Demory, da Universidade de Berna, na Suíça.

"Isso pode ser um indicador da atividade biológica no planeta."

Radiação.

Mas Demory diz que é preciso ter cuidado ao inferir uma atividade biológica nos planetas a partir de observações feitas de longe.

Algumas das propriedades de super-anãs frias como a Trappist-1 podem dificultar a existência de vida. Por exemplo, algumas delas emitem grandes quantidades de radiação em forma de chamas, o que poderia esterilizar as superfícies dos planetas próximos.

Além disso, a zona habitável, no caso da Trappist-1, está bem próxima da estrela para que os planetas recebam o calor necessário para que exista água líquida.

Mas isso também causa um fenômeno conhecido como rotação sincronizada, que faz com que o planeta sempre mostre a mesma face para a estrela. Um lado do planeta estaria, portanto, sempre no "dia" e o outro, sempre na "noite".

Isso pode ter o efeito de fazer com que a face virada para a estrela fique quente e a outra, fria.

Visita.

De acordo com os cientistas, o primeiro planeta na zona habitável do novo sistema, Trappist-Ie, tem tamanho muito semelhante à Terra, e também recebe quantidade de luz semelhante à que recebemos do Sol. Por isso, pode ter temperaturas parecidas.

Já o Trappist-If, segundo da zona habitável, tem órbita de nove dias, recebe luz de maneira semelhante a Marte e pode ser um planeta rico em água.

"Enquanto vivermos provavelmente não conseguiremos chegar até o sistema da Trappist-1. Estamos muito empolgados para usar nossos telescópios e descobrir o que há lá, mas teremos que deixar a visita para outras gerações", disse a astrônoma Sara Seager, professora do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, na sigla em inglês), durante o anúncio da Nasa.

Segundo Seager, se fosse possível viajar na velocidade da luz, o homem levaria 39 anos para chegar até o novo sistema planetário. Num avião como os que existem hoje, o tempo necessário seria 44 milhões de anos.

NASA.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/ciencia-e-saude

Nasa descobe novos planetas

Ilustração dos exoplanetas ao redor da estrela anã TRAPPIST-1.
Foto: NASA / JPL-Caltech.

Publicado no site do G1, em 22/02/2017.

Cientistas descobrem planetas com tamanhos parecidos ao da Terra em sistema a 40 anos-luz.

Todos orbitam a uma distância que possibilita a existência de água líquida em sua superfície.

Por G1.

A Nasa descobriu novos planetas no sistema planetário da estrela TRAPPIST-1, localizada a 40 anos-luz do Sol. Segundo artigo publicado na revista "Nature" nesta quarta-feira (22), o sistema tem sete planetas com um tamanho próximo ao da Terra localizados em uma zona temperada, ou seja, com temperatura entre 0ºC e 100ºC. É um recorde de planetas deste tamanho e nessa zona de temperatura, afirma a agência espacial americana.

Em maio de 2016, o astrofísico Michaël Gillon, da Universidade de Liège, na Bélgica, com a ajuda de colaboradores, havia relatado a existência de três destes exoplanetas que transitavam ao redor da estrela anã. Essa foi a primeira pista para os autores investigarem mais a fundo o sistema.

Cientistas descobrem sistema solar com planetas parecidos com a Terra Desde a detecção desse primeiro trio de exoplanetas há quase 10 meses, os pesquisadores monitoraram a TRAPPIST-1 a partir do solo, com o Telescópio Liverpool, e do espaço, com a ajuda de equipamentos da agência espacial dos Estados Unidos. Com isso, as estimativas iniciais apontam que os seis planetas mais próximos da estrela anã têm massas que são semelhantes à da Terra, além de possivelmente terem estruturas rochosas.

"Existir esse sistema com sete planetas é realmente incrível", disse Elisa Quintana, astrofísica da Nasa. "É possível imaginas quantas estrelas podem estar próximas e abrigar muitos e muitos planetas".

De acordo com a Nasa, todos orbitam a uma distância que possibilita a existência de água líquida em algum ponto de sua superfície, o que abre a possibilidade para que o sistema tenha condições de abrigar vida.

Gillon e seus colegas apontam que as características e a interação do sétimo planeta com os mais próximos à estrela precisam ser esclarecidos. De qualquer forma, o grupo também disse que observações adicionais são necessárias para afirmar com mais certeza quais são as propriedades de cada um desses novos planetas.

Detalhes preliminares.

O sistema da TRAPPIST-1 fica na constelação de Aquário. Essa estrela é mais fria e vermelha que o Sol, de um tipo muito comum na Via Láctea.

Ele contém sete planetas, que foram chamados de b, c, d, e, f, g e h.

O telescópio espacial Spitzer, da Nasa, observou a TRAPPIST-1 durante 21 dias em 2016.

- O trânsito do planeta h, mais longe da estrela anã, só foi visto pelo Spitzer uma vez.

- O planeta b precisa de 1,5 dia da Terra para completar a órbita do TRAPPIST-1.

- Os maiores planetas, o g e o b, são cerca de 10% maiores que a Terra.

- Já os menores, o d e o h, são cerca de 25% menores que o nosso planeta.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/ciencia-e-saude

domingo, 29 de janeiro de 2017

Nasa fotografa face oculta da Lua em passagem pela Terra

As fotos foram feitas em uma passagem da Lua pela Terra 
em 16 de julho, durante um intervalo de quase quatro horas. (NOAA/Nasa)

Publicado originalmente no site da Revista Veja, em 6 ago 2015.

Nasa fotografa face oculta da Lua em passagem pela Terra.

A imagem revela o lado do satélite que não pode ser observado da superfície terrestre. A foto foi feita pela câmera Epic, do satélite DSCOVR, a 1,6 milhão de quilômetros da Terra.

Por Da Redação

O lado oculto da Lua, jamais visto por quem está na superfície terrestre, foi captado pela Nasa totalmente iluminado pelo Sol. A série de imagens, divulgada na quarta-feira (5), revela os detalhes do satélite em uma passagem pela Terra, em 16 de julho, em um intervalo de quase quatro horas.

A fotografia foi feita pela câmera Epic (Earth Polychromatic Imaging Camera) a bordo do satélite DSCOVR (Deep Space Climate Observatory), que orbita o planeta a 1,6 milhão de quilômetros. A Lua está a 384 400 quilômetros da superfície terrestre. As imagens foram feitas enquanto a Lua se move do Oceano Pacífico em direção à América do Norte. O polo Norte está localizado no canto direito da imagem.

O ‘lado negro’ – A face oculta da Lua foi vista pela primeira vez em 1959, pela nave soviética Luna 3 e, desde então, tem sido documentada pela Nasa. Quem está sobre a superfície terrestre não consegue observá-la porque o período de rotação da Lua está em sincronia com seu período orbital, ou seja, o tempo que leva parar girar sobre si mesma (rotação) é igual ao que leva para girar ao redor da Terra (translação).

As imagens divulgadas pela Nasa são resultado de uma composição de três fotografias com diferentes filtros, que vão do ultravioleta ao infravermelho, e revelam em detalhes diferentes aspectos do espaço, como a cor “natural” do satélite e da Terra.

“É supreendente o quanto a Terra é mais brilhante que a Lua. Nossa planeta é um objeto verdadeiramente brilhante no espaço escuro em comparação à superfície lunar”, afirmou o astrônomo Adam Szabo, da missão DSCVR, no comunicado da Nasa que revelou as imagens.

Texto e imagem reproduzidos do site: veja.abril.com.br/ciencia