sexta-feira, 6 de março de 2026

Impacto de nave da NASA alterou órbita de asteroide...


Publicação compartilhada do site G1 GLOBO/CIÊNCIA, de 6 de março de 2026 

Impacto de nave da NASA alterou órbita de asteroide ao redor do Sol, aponta novo estudo

Mudança foi provocada pelo impacto da nave DART em 2022. É a primeira vez que cientistas conseguem alterar deliberadamente a órbita de um corpo celeste ao redor do Sol.

Por Associated Press

Um asteroide que a NASA usou como alvo em um teste há alguns anos acabou sendo empurrado para uma rota ligeiramente diferente ao redor do Sol.

A descoberta pode ajudar cientistas a desviar, no futuro, uma rocha espacial potencialmente destrutiva, segundo relataram pesquisadores nesta sexta-feira.

É a primeira vez que a órbita de um corpo celeste ao redor do Sol é alterada de forma deliberada. O asteroide atingido pela nave Dart, da NASA, nunca representou ameaça para a Terra.

“Este estudo representa um avanço importante na nossa capacidade de evitar impactos de asteroides na Terra no futuro”, escreveu a equipe internacional de pesquisadores em um artigo publicado na revista Science Advances.

As mudanças foram pequenas. Segundo os cientistas, o impacto reduziu em apenas um décimo de segundo o tempo da órbita e diminuiu em cerca 720 metros o percurso de uma volta ao redor do Sol — uma órbita que dura dois anos e percorre centenas de milhões de quilômetros.

“Embora pareça pouco, um pequeno desvio pode se acumular ao longo de décadas e fazer a diferença entre um asteroide potencialmente perigoso atingir ou não a Terra no futuro”, afirmou por e-mail o autor principal do estudo, Rahil Makadia, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.

Segundo ele, em testes de defesa planetária, o essencial não é aplicar um grande empurrão de última hora, mas provocar um pequeno desvio com muitos anos de antecedência.

Lançada em 2021 no primeiro exercício de defesa planetária do mundo, a nave Dart colidiu deliberadamente com Dimorphos, um pequeno asteroide que orbita um corpo maior chamado Didymos.

Os dois giram juntos ao redor do Sol. Logo após o impacto, em 2022, a NASA confirmou que a colisão havia encurtado a órbita de Dimorphos ao redor do asteroide maior.

Agora, com base em observações feitas por telescópios ao redor do mundo, os cientistas confirmaram que o impacto também reduziu em 0,15 segundo o tempo que o sistema leva para completar uma volta ao redor do Sol.

Cada órbita dura 769 dias. Isso corresponde a uma desaceleração de pouco mais de 10 micrômetros por segundo e a uma redução de 720 metros na órbita de cerca de 480 milhões de quilômetros.

Os pesquisadores também observaram que as rochas e detritos lançados ao espaço na colisão contribuíram tanto quanto a própria nave para empurrar Dimorphos, dobrando o efeito do impacto.

No verão passado, uma equipe ítalo-americana estimou que cerca de 16 milhões de quilos de rocha e poeira foram ejetados.

Fora do nosso caminho

A boa notícia é que, mesmo com a mudança na trajetória, a Terra continua fora do caminho desses asteroides no futuro previsível.

Segundo Steven Chesley, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, que participou do estudo, esse sistema foi escolhido justamente por não representar risco para o planeta.

“Embora seja apenas um experimento, ele representa um dado importante que será útil para futuras missões de desvio de asteroides”, afirmou Chesley em um e-mail.

Os cientistas esperam aprender ainda mais sobre as consequências do impacto quando a nave Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA), chegar ao sistema em novembro.

Dimorphos tem cerca de 160 metros de diâmetro. Já Didymos, que gira rapidamente, mede cerca de 780 metros de largura e possui, segundo o novo estudo, cerca de 200 vezes mais massa que seu companheiro.

Diferentemente da Dart, a Hera não irá colidir com os asteroides. A nave permanecerá na região por vários meses realizando observações detalhadas.

Dois pequenos módulos experimentais também serão liberados e tentarão pousar no asteroide.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1 globo com/ciencia

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Cientistas encontram indício... de vida em outro planeta

Imagem ilustrativa, postada pelo blog

Texto compartilhado do site [g1 globo com/ciencia], de 16 de abril de 2025 

Cientistas encontram indício mais forte até hoje de vida em outro planeta

Foram detectados na atmosfera desse planeta impressões químicas de gases que, na Terra, são produzidos apenas por processos biológicos.

Por Reuters

Em uma possível descoberta histórica, cientistas usando o telescópio espacial James Webb obtiveram o que chamam de sinais mais fortes até agora de possível vida além do nosso sistema solar.

Foram detectados na atmosfera de um planeta alienígena as impressões químicas de gases que, na Terra, são produzidos apenas por processos biológicos.

Os dois gases — dimetil sulfeto (DMS) e dissulfeto de dimetila (DMDS) — observados no planeta chamado K2-18 b, são gerados na Terra por organismos vivos, principalmente por vida microbiana como o fitoplâncton marinho (algas).

Isso sugere que o planeta pode estar repleto de vida microbiana, segundo os pesquisadores. No entanto, eles enfatizaram que não estão anunciando a descoberta de organismos vivos, mas sim de uma possível bioassinatura — um indicativo de processo biológico — e que os achados devem ser vistos com cautela, sendo necessárias mais observações.

Ainda assim, os cientistas demonstraram entusiasmo. “Esses são os primeiros indícios de um mundo alienígena possivelmente habitado”, disse o astrofísico Nikku Madhusudhan, do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge, autor principal do estudo publicado na revista Astrophysical Journal Letters.

“Este é um momento transformador na busca por vida além do sistema solar. Demonstramos que é possível detectar bioassinaturas em planetas potencialmente habitáveis com os recursos atuais. Entramos na era da astrobiologia observacional”, afirmou Madhusudhan.

Ele observou que existem vários esforços em andamento para encontrar sinais de vida no nosso sistema solar, como em Marte, Vênus e em diversas luas geladas.

K2-18 b é 8,6 vezes mais massivo que a Terra e tem um diâmetro cerca de 2,6 vezes maior. Ele orbita na “zona habitável” — uma distância de sua estrela onde a água líquida pode existir na superfície — de uma anã vermelha menor e menos luminosa que o Sol, localizada a cerca de 124 anos-luz da Terra, na constelação de Leão.

Um “mundo hycean”

Desde os anos 1990, cerca de 5.800 exoplanetas (planetas fora do nosso sistema solar) foram descobertos. Cientistas têm criado hipóteses sobre a existência dos chamados mundos hycean — cobertos por oceanos de água líquida habitáveis por microrganismos, com atmosfera rica em hidrogênio.

Observações anteriores do Webb, que foi lançado em 2021 e entrou em operação em 2022, já haviam identificado metano e dióxido de carbono na atmosfera de K2-18 b — a primeira vez que moléculas baseadas em carbono foram detectadas na atmosfera de um exoplaneta na zona habitável de uma estrela.

“O único cenário que atualmente explica todos os dados obtidos até agora pelo JWST, incluindo as observações passadas e atuais, é aquele onde K2-18 b é um mundo hycean repleto de vida”, disse Madhusudhan. “No entanto, precisamos estar abertos e continuar explorando outros cenários.”

Segundo ele, nesses mundos, caso existam, é de se esperar vida microbiana, possivelmente semelhante à encontrada nos oceanos da Terra. Os oceanos desses planetas seriam mais quentes. Quanto à possibilidade de organismos multicelulares ou vida inteligente, Madhusudhan foi cauteloso: “Não podemos responder essa pergunta neste estágio. A suposição básica é de vida microbiana simples.”

Os gases DMS e DMDS, pertencentes à mesma família química, têm sido apontados como importantes bioassinaturas em exoplanetas. O telescópio detectou a presença de um ou outro (ou ambos) na atmosfera do planeta com 99,7% de confiança estatística, o que ainda deixa uma chance de 0,3% de ser um erro ou ruído estatístico.

Eles foram detectados em concentrações atmosféricas superiores a 10 partes por milhão em volume.

“Para comparação, isso é milhares de vezes mais do que suas concentrações na atmosfera da Terra, e não pode ser explicado sem atividade biológica, segundo o conhecimento atual”, afirmou Madhusudhan.

Cientistas que não participaram do estudo recomendaram cautela.

“Os dados de K2-18 b são riquíssimos, tornando-o um mundo fascinante”, disse Christopher Glein, cientista do Southwest Research Institute, no Texas. “Esses novos dados são uma contribuição valiosa, mas devemos testá-los o máximo possível. Espero ver mais análises independentes já na próxima semana.”

K2-18 b pertence à classe de planetas “sub-Netuno”, com diâmetro maior que o da Terra, mas menor que o de Netuno (o menor gigante gasoso do nosso sistema solar).

Para determinar a composição química da atmosfera de um exoplaneta, os astrônomos analisam a luz de sua estrela enquanto o planeta passa na frente dela do ponto de vista da Terra — isso é chamado de método de trânsito. Durante esse trânsito, parte da luz da estrela atravessa a atmosfera do planeta e, ao ser captada pelo telescópio, permite determinar os gases presentes.

As observações anteriores do Webb já haviam sugerido a presença de DMS. As novas observações usaram um instrumento diferente e outra faixa de luz para confirmação.

“O Santo Graal da ciência de exoplanetas”, disse Madhusudhan, “é encontrar evidências de vida em um planeta parecido com a Terra, fora do nosso sistema solar.”

Madhusudhan disse que a humanidade se pergunta há milênios se estamos sozinhos no universo, e que agora talvez estejamos a apenas alguns anos de descobrir uma possível vida alienígena em um mundo hycean.

Mas ele ainda pediu prudência:

“Primeiro, precisamos repetir as observações duas ou três vezes para garantir que o sinal é real e aumentar a significância da detecção, até que a probabilidade de erro estatístico seja menor que uma em um milhão”, disse.

“Segundo, precisamos de mais estudos teóricos e experimentais para garantir se não há um mecanismo abiótico (sem envolver vida) que possa produzir DMS ou DMDS em uma atmosfera como a de K2-18 b.”

Apesar de estudos anteriores já considerarem esses gases como bioassinaturas confiáveis, inclusive nesse planeta, Madhusudhan conclui:

“É um grande se que os dados estejam mesmo apontando para vida. E não interessa a ninguém afirmar prematuramente que detectamos vida.”

Texto reproduzido do site: g1 globo com/ciencia

domingo, 7 de abril de 2024

O que pensamos nos minutos finais?

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 6 de abril de 2024

O que pensamos nos minutos finais?

Novo estudo demonstra que após a parada cardíaca e a perda de consciência, o cérebro tem um pico de atividade, principalmente nas áreas associadas à visão e à consciência. Fernando Reinach para o Estadão:

Eu devia ter 14 anos quando descobri que a morte não ocorre instantaneamente, mas é um processo relativamente longo. Foi no dia em que me contaram que as unhas de um cadáver continuam a crescer durante o velório.

Hoje sabemos que isso não é verdade; é o dedo que murcha após a morte e causa essa impressão. Entretanto, depois que o coração para de bater, o corpo fica sem oxigênio e perdemos a consciência, os neurônios cerebrais levam de 3 a 7 minutos para morrer.

Se a pessoa for doador de órgãos, os médicos precisam retirar os órgãos doados para transplante em 30 minutos e implantá-los em até seis horas. Caso isso ocorra, o órgão sobrevive no novo corpo, indicando que continuava vivo. Isso demonstra que a morte é um processo que dura tempos diferentes em diferentes órgãos e que só termina quando a última célula do corpo morre.

A novidade é um estudo que demonstra que após a parada cardíaca e a perda de consciência, o cérebro tem um pico de atividade, principalmente nas áreas associadas à visão e à consciência. E isso pode explicar as experiências lembradas por pessoas que sobrevivem a uma parada cardíaca.

Todos nós já vimos no cinema: a pessoa tem um ataque cardíaco, o coração para, a respiração também. A vítima perde a consciência imediatamente e as pessoas em volta passam a fazer massagem cardíaca apertando ritmicamente o peito do paciente.

Essa manobra mantem um pouco do sangue circulando, e o pulmão oxigenando o sangue. Para tentar reativar o coração, podem ser dados choques e drogas quando ela chega no hospital. No desenrolar do filme, duas coisas podem acontecer.

A primeira é os médicos não conseguirem reativar o coração e, num dado momento, desistirem, desligarem os equipamentos e declararem a pessoa morta. A segunda é que os esforços funcionam, o coração volta a funcionar e a pessoa pode sair lépida do hospital.

Entre as pessoas que se recuperam de uma parada cardíaca, aproximadamente 10% relatam experiências consistentes dos pensamentos que tiveram quando estavam inconscientes. São os chamados pensamentos próximos da morte (near death experiences).

Eles normalmente envolvem visões da pessoa saindo do corpo, e da vida sendo recapitulada rapidamente. Esses relatos são tão consistentes que os cientistas hoje acreditam que eles têm alguma relação com a falta de oxigênio no cérebro.

Esse novo trabalho tenta descobrir o que ocorre no cérebro nos 5 a 10 minutos depois que o fluxo de oxigênio é interrompido. Foram estudadas quatro pessoas em que os esforços de reanimação do coração foram infrutíferos e os médicos decidiram parar a massagem cardíaca, os choques, e desligaram todos os sistemas de suporte.

Mas nesses quatro casos tudo foi desligado, menos o aparelho de eletroencefalograma, que mede a atividade cerebral. Esses pacientes, no momento em que tudo foi desligado, estavam completamente inconscientes e não apresentavam nenhuma resposta neurológica.

O aparelho de eletroencefalograma consiste em uma série de eletrodos fixados no couro cabeludo que medem a atividade elétrica na parte do cérebro logo embaixo do osso da caixa craniana. Em pessoas saudáveis, esses sinais elétricos são diferentes quando nosso cérebro executa diferentes funções, e sua análise permite identificar de maneira grosseira o que está ocorrendo no cérebro.

O que os cientistas observaram é que o cérebro desses pacientes mostrava pouca atividade durante o tempo em que os médicos estavam tentando reanimar o paciente, algo típico do estado de coma.

Mas assim que o fluxo de oxigênio é interrompido, a atividade cerebral aumenta abruptamente e essa atividade dura por até 6 minutos, quando ela cessa completa e definitivamente. Esses seis minutos são a transição entre um cérebro vivo e um cérebro morto.

Analisando o padrão dessa atividade, as áreas ativadas, e as comunicações elétricas entre diversas regiões, os cientistas concluíram que durante esse tempo, em que o cérebro está morrendo, é possível que pensamentos inconscientes e memórias sejam ativadas. Como todos esses pacientes não sobreviveram à parada cardíaca não é possível saber o que eles relatariam se acordassem.

Mas uma consequência dessa descoberta é que talvez essa atividade cerebral que ocorre durante os primeiros minutos da falta total de oxigênio sejam os processos que geram as memórias e pensamentos próximos a morte reportados por parte dos pacientes que sobrevivem a uma parada cardíaca.

O que poderia estar acontecendo é que assim que o fornecimento de oxigênio ao cérebro cessa, essa atividade cerebral intensa gera sensações de saída do corpo e memórias do passado. Quando esses pacientes são reanimados e seus corações voltam a bater novamente, eles saem do coma, acordam, e essas lembranças voltam à consciência. Os cientistas esperam testar essa possibilidade no futuro próximo.

O interessante do estudo é que ele representa uma nova linha de investigação cujo objetivo é estudar e compreender os fenômenos que ocorrem durante o processo da morte. Essa compreensão pode ajudar a entender que processos podem ser revertidos e como revertê-los. Sem dúvida, é uma área da ciência um pouco mórbida e triste, mas que pode ser promissora.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

domingo, 26 de novembro de 2023

Quem ensinou isso às formigas?!

Post compartilhado do Facebook/Marko Gabrijel Usainovic

Os cientistas descobriram que as formigas, depois de coletarem os grãos e sementes de que precisam e dos quais se alimentam, escondem-nos no subsolo e quebram-nos em duas metades. Porque se as sementes forem divididas em duas metades, elas não germinam, mesmo que tenham ambiente adequado. Mas o que lhes causou espanto foi o facto de as formigas (apenas) dividirem as sementes de coentro em quatro partes.

Após pesquisas, descobriram que as sementes de coentro podem brotar mesmo se forem cortadas ao meio, mas não germinam se forem cortadas em quatro pedaços...

 Então quem ensinou isso às formigas?!

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Marko Gabrijel Usainovic